José de Alencar nasceu em 1º de maio de 1829, no Ceará, na localidade de Mecejana, atual Messejana, hoje bairro de Fortaleza. Filho do padre e senador José Martiniano de Alencar e de Ana Josefina de Alencar, cresceu em um ambiente marcado pela política e pela cultura letrada. Ainda criança, mudou-se com a família para o Rio de Janeiro, onde teve contato com os debates intelectuais e políticos do Império. Mais tarde foi estudar direito em São Paulo e Olinda, formando-se em 1850, uma trajetória comum entre os bacharéis que viriam a se destacar nas letras e na política do Brasil do século XIX.
Logo após formado, Alencar dividiu sua vida entre o jornalismo, a advocacia e a literatura. Trabalhou em diversos jornais cariocas, onde publicou folhetins e crônicas que lhe deram visibilidade no meio cultural da capital do Império. Foi nesse ambiente de imprensa que amadureceu seu estilo narrativo e seu interesse por temas nacionais, sempre com o objetivo de construir uma literatura genuinamente brasileira, distante dos modelos europeus que ainda dominavam a produção literária do país.
Sua estreia como romancista se consolidou com “A Viuvinha” e principalmente com “O Guarani”, publicado em 1857, obra que o projetou nacionalmente. O romance, ambientado no período colonial, apresentava o índio Peri como herói idealizado, em diálogo direto com o ideário do indianismo romântico que buscava forjar símbolos de identidade nacional para o jovem país independente. A obra teve enorme sucesso popular e consolidou Alencar como uma das vozes centrais do Romantismo brasileiro.
Ao longo de sua carreira, Alencar produziu uma obra vasta e diversificada, organizada por ele mesmo em ciclos temáticos. Os romances indianistas incluem “O Guarani” e “Iracema”, de 1865, considerada uma de suas obras mais importantes pela linguagem poética e pela tentativa de recriar mitos fundadores do Brasil. Os romances urbanos, como “Senhora” e “Lucíola”, retratavam a sociedade carioca e seus costumes, enquanto os romances regionalistas, como “O Sertanejo” e “O Gaúcho”, expandiam o olhar literário para outras regiões do país, evidenciando sua ambição de mapear o Brasil em sua obra.
Paralelamente à literatura, Alencar teve atuação política relevante. Foi deputado pelo Ceará e ocupou o cargo de ministro da Justiça entre 1868 e 1870, durante o governo do Visconde de Itaboraí. Sua trajetória política, no entanto, foi marcada por desavenças com Dom Pedro II, que se opôs à sua indicação ao Senado, episódio que Alencar enfrentou com a publicação de cartas políticas assinadas sob o pseudônimo de Erasmo, nas quais criticava o poder moderador exercido pelo imperador.
José de Alencar morreu em 12 de dezembro de 1877, no Rio de Janeiro, vítima de tuberculose, doença que já o acompanhava havia anos. Deixou uma obra que viria a influenciar gerações de escritores brasileiros e que permanece como referência fundamental para a formação de uma identidade literária nacional. Reconhecido como o principal romancista do Romantismo no Brasil, seu nome é hoje patrono da cadeira de número 23 da Academia Brasileira de Letras, instituição fundada anos após sua morte mas que reconhece nele um de seus precursores mais importantes.


